Viagem para Atacama e Mendoza
8000 KM entre amigos


O deserto de Atacama é o destino dos sonhos dos motociclistas. Começamos o planejamento e a expectativa ia crescendo até o dia da partida.

Primeiro dia- 860km

Nosso ponto de encontro foi no posto de gasolina as 5 hs. Ainda noite, pegamos a BR470 e a ideia era chegar até nosso destino a cidade de Obera, na província e Missiones Argentina.

Passando Rio do Sul começou a chover, paramos para vestir as capas de chuva. Tínhamos que chegar a Porto Mauá na fronteira antes das 17 hs, último horário que a balsa cruza o rio Uruguai. Chegamos na fronteira, abastecemos e trocamos alguns pesos Argentinos. Na aduana, tivemos que aguardar o tramite de entrada da moto do Tony, que estava no nome da empresa dele. Mesmo com o contrato social em mãos, precisava de uma declaração autorizando ele mesmo (dono da empresa) a conduzir a moto...rsrsrsr. Resultado, tivemos que voltar 40km até Santa Rosa a procura de um cartório para fazer a declaração.

Segundo dia- 660 KM

Acordamos cedo, o Tony foi ao cartório e uma hora depois tínhamos o documento. Atravessar em balsa do rio Uruguai entrando na Argentina é bem diferente que aos usualmente utilizados. Documentação pronta, saímos destino a Presidencia Roque Saenz Peña. As estradas argentinas estão em boas condições, e pouco transito. Depois de Obera, o pneu da moto do Thiago furou e o compressor não resolveu. Procuramos uma borracharia onde ao desmontar percebemos que a câmera estava danificada. Trocada a câmera, continuamos a viagem....tudo uma aventura !!! Cruzamos a ponte que liga Corrientes a Resistencia, famosa pois a polícia multa se você chega na ponte usando a rua principal. Para ingressar, deve-se seguir pela rua que corre do lado (acostamento), e lá no fim, entra na ponte. O visual ao atravessar é muito bonito. Chegamos no nosso destino já de noite, banho tomado, fomos a uma parrilla onde apreciamos as empanadas e assado.

Terceiro dia- 520KM

Pegamos a estrada com destino a Tafi del Valle. A província del Chaco é muito árida de longas retas e o calor começou a aparecer. Percebemos que no pneu traseiro do Thiago aparecia a banda de aço, possivelmente porque rodou como o pneu muito baixo. Antes de chegar a Termas de Rio Hondo o pneu novamente deu problema e ao desmontar numa borracharia, mostrou que estava sem condições de rodar, todo mordido interiormente. Nestes casos, ligar para o seguro é um processo muito demorado e complicado, os telefones de emergência do seguro na Argentina pedem que liguemos primeiro para a seguradora do Brasil, depois do Brasil acionam na Argentina. Depois de mais de uma hora tentando resolver, o Tony pegou a moto e voltou até Santiago Del Estero, distante 60 km de onde estávamos, e comprou câmera e pneu novo. Pneu e câmera trocados, enfim chegamos a Termas de Rio Hondo, cidade aconchegante onde acontece o Moto GP. Ficamos num hotel com piscina de aguas termais, onde relaxamos depois do dia que tivemos.

Quarto Dia- 470km

Depois de comer muitas medialunas e tomarmos café, saímos de Termas com destino a Salta. Começaram as paisagens maravilhosas e a estrada para chegar a Tafi del Valle é cheia de curvas, montanhas e muito verde, começou a chover.... Chegando ao alto, no monumento ao índio Calchaqui, paramos para comer torta frita feita na hora.

Continuamos nossa trip, e chegamos ainda de manhã a Tafi del Valle, cidade muito charmosa que merecia passar um todo com muitos turistas passeando.

Abastecemos e seguimos rumo a Cafayate. O caminho segue com paisagens belíssimas para quem gosta de ver natureza bruta. El caminho al Infiernillo o percurso é bem tranquilo, nessa etapa da viagem o sol nos acompanhava.

Passamos pelas ruinas dos Quilmes e chegamos a Cafayate, onde fomos almoçar. Cidade de várias vinícolas e plantação de azeitonas. Nesse dia acontecia uma festa religiosa da Virgem Patroa da cidade que estava toda enfeitada para a procissão.

Continuando nossa trip, deixamos a Ruta 40 e pegamos a Ruta 68 onde atravessamos a quebrada de Cafayate e a quebrada de las Conchas. As fotos falam por si, uma beleza indescritível...montanhas rochosas de cor vermelha ricas em minérios. Paredões altos de pedras esculpidos pelo vento, um visual místico e sagrado para os indígenas. Visitamos o auditório outra formação rochosa, como se fosse um anfiteatro, que em razão da construção natural faz com que sua acústica aumente muito o som.

Ficamos com os olhos e espírito cheios de beleza exuberante. Chegamos em Salta quando o sol estava caindo. Se tratando de uma Capital, demoramos bastante em chegar ao centro da cidade. Experimentamos as famosas empanadas salteñas, deliciosas.

Quinto dia- 570km

Motos abastecidas, saímos de Salta ao nosso tão sonhado destino, San Pedro de Atacama. Passamos por Jujuy e começamos a subida da pre-cordilhiera. Desviamos nosso percurso para abastecer em Tilcara, e chegando em Purmamarca parando para apreciar o cerro de los Siete Colores. A paisagem árida com muitos rios secos e leitos formado por pedras formavam a paisagem.

Continuamos viagem, com destino a Susques e atravessamos a Cuesta de Lipan.

Logo depois chegamos a Salinas Grandes, também província de Salta. Essa região de 12 mil hectares é cortada pela rota 52, que liga a Argentina ao Deserto do Atacama. Salinas Grandes está 4.170 metros acima do nível do mar.

Abastecemos em um posto bem diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil...rsrsrsr,

e a paisagem mudou completamente. O clima seco e ausência de verde, longas retas e

Chegamos por volta das 13 hs no posto de fronteira com Chile. Tínhamos comprado em Tafi del Valle folhas de coca para mastigar por causa da altitude, isto nos ajudou bastante nesta etapa da viagem. Mesmo assim o Tony não estava passando bem, precisando respirar oxigênio puro oferecido na aduana, que ajudou a se recuperar.

Documentação pronta e motos abastecidas, tocamos para nosso destino principal.

Passamos perto do vulcão Lincabur....

A emoção que sentimos ao chegar em San Pedro de Atacama é indescritível!!

Um cenário como você estivesse em outro planeta. Chegamos a uma altura de 4.870m a uma temperatura de -1 graus.

Saímos em busca de um hotel e ficamos na pousada a Quinta Adela, do Sr. Miguel pessoa carismática e muito gente fina. A casa que era do seu avô, foi transformada nessa pousada.

Banho tomado saímos para jantar. A cidade parece que ficou parada no tempo, com ruas de chão batido e uma infinidade de turistas europeus e mesmo com tantos transito de turistas os moradores preservam suas características com casinhas simples e rusticas.

Sexto dia- Turismo em San Pedro de Atacama

Aproveitamos para descansar mais que o normal, e tomamos nosso café e saímos a caminhar pela cidade. O Sr. Miguel passou algumas sugestões dos passeios a serem realizado em San Pedro. Um deles tivemos que deixar para traz, o Geiser de Talio que estava suspenso, pois uma turista havia caído e se queimado e ficaria interditado por uma semana.

Sétimo dia- Turismo em San Pedro de Atacama

Acordamos e saímos de moto para o parque em Valle de la Luna. O lugar com formação argilosa e grande variação de tonalidades é indescritível. Pela constante erosão sobre a camada argilosa, descobriu-se restos fossilizados de vertebrados e o deposito paleontológico mais importante do mundo.

Foi declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. Muitos turistas visitam o parque de bicicleta e encontramos um casal de brasileiros apreciando o lugar.

Depois de visitarmos o parque fizemos quase 60 km até o Lago de los Cisnes e Salar del Carmen. Chegam muitos ônibus de turismo. Incrível a existência de agua nos lagos no meio do deserto e ver a presença de algumas espécies de aves e de elegantes flamingos !!!

Na cidade acontecia uma competição de atletismo e ciclismo, os hotéis estavam cheios. Tivemos que deixar o hotel do Sr. Miguel e conseguimos nos hospedar num hostel. Como não havia garagem nossas motos ficaram estacionadas no hall de entrada... rsrs.

Oitavo dia- 320km

Saímos cedo de San Pedro sentido Antofagasta. Chegando em Calama paramos numa lanchonete a beira da estrada para nosso café. No hostel onde ficamos não oferecia café da manhã. As rodovias do Chile são muito bem conservadas, e o trafego nesta região é muito tranquilo. O clima muito seco te obriga a usar bastante creme de cacau para manter os lábios hidratados.

Chegamos ao Oceano Pacifico!!

Nono dia- 900km

Dia muito especial, chegada a tão esperada Mano del Desierto!! Uma mão construída em concreto no meio do deserto, foto obrigatória dee todo motociclista...

Chegamos em La Serena depois de rodar 900 km por rodovias em ótimas condições. No dia seguinte Thiago estava com febre e uma inflamação na garganta e não poderíamos continuar. Procuramos o hospital, consulta feita, remédios comprados e cama até a febre passar.

La Serena é um dos balneários mais concorridos dos chilenos. Oferece grande opção hoteleira a beira mar e gastronomia refinada em frutos do mar. Uma região de clima desértico com chuvas escassas e temperaturas amenas.

Aproveitamos a piscina aquecida e o ótimo restaurante do hotel, bem como uma rápida e divertida passadinha no casino...apesar do parceiro doente, nossa estada foi ótima!!!

Decimo dia- Turismo na La Serena

Mais um dia em La Serena e Thiago começava a mostrar sinal de melhoras. Acontecia o campeonato internacional de futebol Sub 18 e estávamos no meio do evento da AFA e de várias seleções, como as de Uruguai e Ghana. Aproveitamos para conhecer um pouco mais a cidade, caminhamos na bela praia e curtimos a piscina do hotel.

Décimo primeiro dia- 440km

Deixamos o hotel com destino a Mendoza e cruzaríamos novamente a Cordilheira de los Andes.

Chegando em Los Andes, cidade anterior a Los Caracoles, quando paramos para abastecer fomos informados que o Paso Cristo Redentor estava fechado, pois tinha nevado fortemente. Isto nos obrigou a ficar dois dias nesta cidade. Escolhemos um hotel da mesma rede do hotel de La serena, com casino, piscina aquecida e otimo restaurante aos pês da cordilheira.

Decimo segundo dia- Hotel em Los Andes

O passo continuava fechado...vamos desfrutando do hotel.

Decimo terceiro dia- 285km

Saímos com destino Mendoza e chegando aos pés da cordilheira uma enorme fila de carros e caminhões parados para atravessar a fronteira... eram quilômetros de fila.

Começamos a ultrapassar a todos, sem olhar para os lados, e quando chegamos a frente nesse momento exato, o passo era liberado. Quando o policial levantou a barreira fomos os primeiros a passar. Cruzar a cordilheira com tanta neve e uma experiência e tanto, uma beleza.

Abastecemos e almoçamos em Uspallata, passamos por Potrerillos e chegamos em Mendoza a tarde. Depois de um banho, saímos a passeio pela cidade. Mendoza é muito charmosa, arborizada e com canais de Riego que tem a função de captar a agua do desgelo para sua utilização. No centro existe uma rua de muitos barzinhos e restaurantes muito acolhedora. Infelizmente não poderíamos ficar, pois tínhamos perdido dois dias no percurso e alguns integrantes tinham que voltar aos seus compromissos de trabalho e família.

Decimo quarto dia- 900 km

Nos despedimos de Mendoza e o grupo continuou junto até Villa Mercedes, San Luis. Nesse ponto nos separamos, eles voltaram ao Brasil, e eu continuei a viagem para minha cidade natal, na província de Buenos Aires, onde fui visitar a minha família. A minha volta para Blumenau de 2000 km foi feita em dois dias, retornando por Uruguaiana.

Foi uma viagem fantástica, onde tivemos imprevistos, muitas risadas, companheirismo e a oportunidade de conhecer lugares sensacionais e maravilhosos de tirar o folego. Nosso grupo fortaleceu na amizade e no respeito !!!

Thiago, Armindo e Tony, obrigado pela amizade e parceria!!!

Alberto

SETEMBRO 2015